Samba e resistência: Renascença e NEABI transformam o Maracanã em território de memória

Samba e resistência: Renascença e NEABI transformam o Maracanã em território de memória

No compasso do tamborim e na cadência da palavra viva, o Clube Renascença marcou presença na Unidade Maracanã do Cefet/RJ, no último dia 29 de maio, no evento “Abolição para quem?”, uma potente parceria com o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI).

Foi mais que um encontro. Foi retomada de memória. Foi corpo em roda, voz em coro, reflexão em movimento.

Na abertura, o professor Thiago Rodrigues trouxe à luz um Brasil muitas vezes silenciado: o do pós-abolição sem reparação, da falsa liberdade sem dignidade, da estrutura racista que persiste nas vielas da história. Seu relato reverberou como tambor ancestral, lembrando que, se a escravidão teve data para acabar no papel, a desigualdade ainda insiste em permanecer no cotidiano.

Ao lado dele, a professora Mariana de Brito traçou pontes entre o ontem e o agora, exaltando o papel do Clube Renascença como um dos grandes guardiões da cultura afro-brasileira na cidade do Rio. Mais do que sede de rodas de samba, o Renascença é casa de ideias, de projetos de educação, de cinema negro, de juventudes sonhadoras e resistentes.

E quando o samba chegou — com pandeiro, cavaquinho e emoção — não foi só música. Foi celebração de ancestralidade. Paulinho da Viola, Almir Guineto, Jorge Aragão… cada canção era um chamado à liberdade, cada verso, uma forma de existir sem pedir licença.

A presença do Renascença no Cefet/RJ foi mais um capítulo de uma história escrita a muitas mãos — e pés — que dançam, cantam, pensam e insistem: o Brasil que queremos começa com justiça, reparação e memória.

Porque enquanto houver samba, haverá resistência.

Escrito por Cleyton Santanna