Ator, radialista, diretor, produtor e roteirista. Nasceu no bairro de São Cristóvão, Zona Norte do Rio de Janeiro, onde seu pai Manoel Coutinho trabalhava como marmorista. Sua mãe Mercedes Coutinho era do município de Vassouras. Os pais se separaram quando ainda tinha 5 anos e ele ficou morando com o pai, que se casou novamente. Chegou a morar em Cordovil com a madrasta, quando o pai se separou desta. Depois foi morar com os tios Leopoldo e Corina em Bonsucesso. Mais tarde, morou no Parque Proletário da Gávea com a mãe, que na época fazia quentinhas. Durante todo este período, não pode frequentar a escola com regularidade.
Estava com 18 anos, quando foi servir ao Exército, onde teve a oportunidade de fazer um curso de bombeiro eletricista. Profissão que possibilitou, posteriormente, ir trabalhar no Hotel Copacabana Palace. Lá começou assistindo aos shows, no Cassino do Hotel, onde viu se apresentarem grandes companhias artísticas, e apaixonou-se totalmente pela arte. Matriculou-se então no Conservatório Nacional de Teatro e foi convidado por Maria Clara Machado para fazer teatro no Tablado. Atuou, pela primeira vez, na peça: “Do Mundo Nada se Leva”, em 1958.
Em 1960, participou do Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes CPC/UNE. Nessa época, participou do movimento do Cinema Novo. Fez também parte do Grupo Opinião, que apresentou o show Opinião, considerado a primeira resposta da cultura de esquerda ao golpe militar em 1964. No Teatro Opinião organizou apresentações musicais com Leonides Bayer, o “Cartola Convida”.
Considerado “comunista” pela ditadura, foi exilado para a Argentina entre 1966 e 1968. Voltou do exílio para fazer televisão. Seu primeiro papel na TV, na novela “Passo dos Ventos” provocou polêmica. Ao exibir cenas de namoro inter-racial entre os personagens interpretados por Djenane Machado e Jorge Coutinho, a autora Janete Clair sentiu nas ruas e nas cartas que o público lhe enviava o repúdio ao envolvimento entre os personagens Hannah e Bienaire. Nas cartas, os telespectadores protestavam contra o que classificavam de um “amor absurdo”. Djenane acabou substituída na função de par de Jorge pela atriz negra Aizita Nascimento, uma das Rainha do Renascença Clube, que chegou a participar do Miss Guanabara em 1963.
Idealizou e dirigiu a famosa roda de samba “Noitada de Samba” (1968-1978), do Teatro Opinião, produzido por ele e Leonides Bayer, responsável pela divulgação da música de compositores populares, que acabaram se tornando conhecidos pela elite da Zona Sul.
Por quatro mandatos, foi presidente do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado do Rio de Janeiro (SATED/RJ) entre 2007 e 2020.
Foi membro do Conselho de Comunicação Social do Senado Federal; foi responsável pela fundação do PMDB Afro; atuou na Funarte, na Secretaria de Estado da Cultura, na Rádio Nacional, na Rádio Roquete Pinto, na Rádio Metropolitana e na Rio Arte, como assessor.
Foi filiando ao PMDB(1990-2020); ao PROS(2020-2023); e atualmente ao Solidariedade(2023-…)
“Eu em minha infância carreguei lata d’água na cabeça para ajudar minha mãe. Em minha juventude plena ganhei dinheiro como bombeiro eletricista no Copacabana Palace aqui no Rio, para pagar o meu curso de teatro no Tablado, sob a batuta de
minha saudosa amiga Maria Clara Machado. Fui lançado no início de minha carreira artística pela também saudosa e gloriosa Elza Soares.”
Fonte: https://www.foconacional.com.br/2022/05/pablo-marcal-e-agora-90-diz-o-ator.html
“A cidade parecia, em determinados momentos, um lugar sem saída para mim. Não havia espaço para mim e tampouco para meus irmãos”
(trecho da biografia de Jorge Coutinho, em que ele fala das dificuldades que teve, e citando um dos episódios de racismo que sofreu sendo barrado na porta do Conservatório Nacional de Teatro em 1959).
Teve a oportunidade de trabalhar no Copacabana Palace e ter contato com a nata da sociedade e acompanhar os ensaios de diversos artistas que se apresentavam lá, como Nat King Cole.
Coutinho teve que socorrer o ator Haroldo de Oliveira, que levou um tiro na UNE em 1964, no dia do incêndio´O incêndio na sede da UNE (União Nacional dos Estudantes) ocorreu no dia 1º de abril de 1964, logo após o golpe militar que instaurou a ditadura no Brasil. O prédio, localizado na Praia do Flamengo, no Rio de Janeiro, foi invadido e incendiado por grupos paramilitares, marcando um dos episódios mais emblemáticos da repressão ao movimento estudantil durante o período.
Na época em que encenou Memórias de um Sargento de Milícias(1966),uma adaptação feita por Millôr Fernandes, (onde atores negros representavam os senhores e os brancos representavam os escravizados), havia um Grupo Teatro de Ação composto por artistas negros(Milton Gonçalves, Haroldo de Oliveira, Joel Rufino dos Santos, Antônio Pitanga, Procópio Mariano), do qual Jorge Coutinho fazia parte.
Protagonizou o primeiro beijo inter-racial da televisão brasileira na novela “Passos dos Ventos”, de autoria de Janete Clair, ao lado da atriz Djenane Machado na TV Globo, em 1968, que foi um escândalo na época. A entrada da Aizita Nascimento, miss Renascença, na novela foi uma tentativa de abafar isso
Participou da novela “Cabana do Pai Tomás”(1969), em que o ator Sergio Cardoso fazia “black face”.
Ainda em 1969 dirigiu um show de Elza Soares. Nesse show também se apresentaram Os originais do Samba, e o Mussum teve que improvisar no palco para substituir a Elza que havia recebido a notícia de falecimento da mãe. O próprio Mussum teria reconhecido a importância de Jorge Coutinho para sua carreira em evento de lançamento de seus produtos de cervejaria: “para eu estar aqui hoje, tenho que agradecer a uma pessoa[…]Jorge Coutinho.”
Em 1988, no Centenário da Abolição, atuou na minissérie “Abolição”, como André Rebouças. No ano seguinte, também interpretou o engenheiro na minissérie “República”.
Ocupou a presidência do SATED do Rio por 4 mandatos, desde 2007.
Em 2013, participou do Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional, para falar sobre a questão do Audiovisual. Na ocasião, chamou a atenção sobre a questão da representatividade negra nas emissoras
Chegou a ser pré-candidato à prefeitura do Rio e ao Ministério da Cultura (2017)
Produziu a peça Orfeu Negro junto com Bayer em 1973 no Renascença Clube
Participou da celebração dos 60 anos do Renascença Clube em 2011, na época era presidente do Sated/RJ e presidente nacional do PMDB Afro.
“Este movimento do Renascença é da maior importância. Quando a gente tem a oportunidade de ver o Obama falar que conheceu o Brasil através da música do Jorge Benjor, através da peça Orfeu do Carnaval filmada numa comunidade…a gente sabe que só a cultura, só a educação, só a saúde vai mudar esse país…quem tem que pautar o governo somos nós, através dos nossos projetos. Vamos mudar esse país, depende de nós, nós somos 51%.”
Fonte:
https://acervo.cultne.tv/cultura/teatro/210/cena-teatral/video/805/jorge-coutinho-ator-e-diretor
“Seria melhor ter uma faculdade no Rio para rever, exclusivamente, a História do povo preto no Brasil”
Sonho: ver um presidente negro na presidência do Brasil
“O próprio Renascença tem por obrigação fazer um grupo de política…discutir política[…] discutir políticas públicas, como a gente vai fazer um jovem chegar a deputado federal, uma mulher chegar a deputada federal…enfim, a gente tem que discutir agora o poder.Só tem uma saída para o negro: é o poder.Fora disso, a gente não tem saída, a gente vai continuar votando nesses caras, e eles não vão dar oportunidade ao nosso filho, às nossas filhas, não vão dar oportunidade a ninguém”
(Entrevista de Jorge Coutinho concedida ao Renascença Clube em 2025)
Entrevista de Jorge Coutinho em sua residência a equipe de AudioVisual do Renascença Clube (2025)